IMPORTÂNCIA DO TRABALHO EM EQUIPE


A GUARNIÇÃO DE REMO DO EXÉRCITO


Os autores relatam a experiência de uma treinador de guarnição de remo da Academia Militar de Wes Pointe do Exército dos Estados Unidos. O treinador está intrigado nesta temporada, pois, não consegue entender como nas competições entre os dois barcos, ou seja, as duas equipes por ele formada e treinada, a  Varsity Junior(VJ), composta pelos remadores menos potentes, frequentemente vencem a equipe de Versity(V), esta composta pelos oito melhores remadores. O Treinador Preczewski (ou Treinador P) acumulou experiência de nove anos neste esporte, mesmo assim, não consegue desvendar o mistério que ronda o enigma das duas equipes. Como veremos no transcorrer desta relato, o Treinador P reuniu várias informações e também realizou inúmeros experimentos com os remadores, ainda assim não conseguiu identificar o problema. Dentre as opções apontou as três possibilidades descritas a seguir, como saída às equipes Varsity e Varsity Jr,  ainda que limitado pelo tempo( duas semanas antes do início da regata do Campeonato Nacional) : 1) Reconhecer a equipe Varsity Jr como melhor que a Varsity, e consequentemente, promovê-la e trocar os barcos; 2)Alternar os remadores entre os dois barcos; 3) poderia intervir na situação para melhorar a equipe V e como faria isso ? Para melhor entendimento do estudo em questão um breve histórico desde o princípio. O remo foi o primeiro esporte interuniversitário dos Estados Unidos desde 1852. Sendo que nos tempos mais recentes o esporte é praticado o ano todo, enquanto no início era apenas nas temporadas anuais. Nos maiores eventos o sistema considera os melhores  barcos (ou dois barcos) a cada rodada, e o vencedor classificado era ingressado para a rodada seguinte, e os piores em cada rodada, eram excluídos. Portanto, desta forma, eram afunilados a cada ciclo, até chegava a equipe vencedora do Campeonato. Por ser um esporte muito disputado, ignorar os fatores de pequeno significado poderia custar a vitória. Os fatores críticos do sucesso era a combinação de habilidades pessoais e coordenação de equipe. Formou-se até um Comitê Olímpico Norte Americano, imbuídos da missão de pesquisar quais técnicas de guarnição de remo eram importantes para obtenção dos melhores desempenhos. A conclusão dos técnicos do Comitê Olímpico era que existiam 200 variáveis e estas subdividam em quatro categorias, a seguir apresentadas: 1) Força e condicionamento; 2) Técnica de remar; 3) Fatores Psicológicos; 4) organização de um programa. Os técnicos mais experientes destacam, apenas entre 11 a 20 variáveis importantes, e ainda, acreditam nos fatores psicológicos como de grande relevância na caminhada rumo ao sucesso. Os técnicos mais jovens além de elegerem vários fatores de desempenho, enfatizavam o uso da técnica como preponderante sobre as demais categorias. Já o técnicos intermediários valorizavam o condicionamento físico.  As habilidades físicas individuais eram avaliadas detalhadamente através de testes físicos, como levantamento de peso e uso de equipamento semelhante ao barco, chamado de “maquina de remo”. Periodicamente, os atletas, eram avaliados e seus resultados eram comparados aos dos anos anteriores e ainda ao desempenho físico das equipes concorrentes. Outro fator fundamental, neste esporte, é a habilidade de trabalhar em equipe. Exige-se quase perfeição na sincronia dos remadores. Portanto, a atitude mental dos remadores deveria está em perfeita harmonia e focados na meta comum de cruzar a linha de chegada à frente dos outros barcos. Entretanto, o domínio dos detalhes, pela equipe, é essencial ao sucesso de todos, anulando o desenvolvimento de talento individual como em outros esportes, como o basquete ou futebol. Também a confiança no trabalho do outro é preciso para que se possa desenvolver bem a atuação conjunta, por ser um esporte coletivo a individualidade prejudica a todos. Em Atlanta, um dos locais de treinamento, após muitos testes de competições em “carrinho”, método que fornecia dados sistemáticos sobre as habilidades dos remadores individualmente, foram escolhidos oito melhores remadores e estes foram postos no barco Varsity e os outros oito com desempenho inferiores foram selecionados para o barco Varsity Jr. O treinador iniciou as competições entre estas duas equipes e na primeira a Varsity facilmente suplantou a Varsity Jr, deixando obviamente os oito melhores membros entusiasmados nesta primeira experiência. De volta ao Rio Hudson o treinador observou membros da Varsity descontentes com outros membros da equipe, reclamando que eles deveriam ter melhores resultados na competição contra a equipe da VJ. Para o treinador P, pareceu muito bom esse questionamento, pois imaginava que os atletas estavam buscando a excelência, mas não foi isso o que estava por vir. Na visão do treinador P já era comprovada o seu sistema de seleção, pois os melhores atletas estavam na equipe V e esta sempre venceria como foi comprovado na primeira competição. Logo na sequência dos treinos no Rio Hudson a equipe Varsity Jr vence a equipe Varsity, isso deixa o treinador com indagações, e fez novamente outros testes e na maioria das vezes a equipe VJ vencia a V. Uma primeira constatação foi que Varsity perdia não pelo fato da outra apresentar melhor desempenho, mas porque ficou mais lenta. Consequentemente foram feitas avaliações mais detalhadas para identificar os verdadeiros motivos deste ocorrido. Reformulou os grupos que foram constituídas por dois membros, depois de por quatro membros que competiam entre si, e nestes casos a equipe da Varsity vencia a VJ. Nesta análise verificou que somente quando a equipe era composta pelos oito membros a Varsity perdia para a Varsity Jr. A constatação era que cada membro da Varsity individualmente eram os melhores remadores, mas que juntos tornavam-se uma equipe perdedora. O treinador P em suas pesquisas e entrevistas a cada membro das equipes e verificou alguns pontos a seguir: os membros da Varsity não se consideravam líder e todos eram considerados desagregadores de equipes, enquanto, a equipe VJ, todos os membros não era considerados desagregador de equipe. Foi incentivado pelo treinador a criação de um canal informações para os  membros interagirem entre si e com o treinador, utilizando-se de troca de e-mail. E neste e-mails o Treinador P observou que a equipe Varsity Jr se motivam com palavras de força para a equipe. Enquanto a Varsity demonstrava em suas palavras individualismo e questionando o desempenho dos companheiros ao treinador. A Atitude mental dos membros da equipe VJ era positiva enquanto a Varsity era questionável. Após o treino as equipes realizavam uma reflexão autocrítica sobre o desempenho, a equipe V criticava uns aos outros em relação aos treinos e detalhes, enquanto a equipe VJ não criticavam uns, mas criticavam o desempenho geral. O Treinador P tentou trocar alguns membros da VJ para Equipe V, e verificou que os membros da VJ não ficaram satisfeitos e não queriam fazer parte da equipe V, e mesmo quando eram feitas trocas a equipe V perdia com mais diferença ainda para a equipe VJ. E neste teste invalidou a hipótese de que trocar os membros causaria melhoria na equipe Varsity. Existiam, como já mencionado três possibilidades para o Treinador P :

1) Trocar o barco Varsity e Varsity Junior – mas essa possibilidade foi descartada, pois todas as informações apontavam antes e depois da designação dos barcos que o Versity tinha os melhores e mais fortes atletas;
2)Alternar remadores – apesar de muitos testes entre os remadores ele talvez ainda não achou a combinação perfeita, mas em contrapartida alguns membros não aprovaram a troca e expressaram seu descontentamento, pois a equipe VJ tinha preferencia pela sua própria equipe e não pela outra;
3) Intervir para melhorar o desempenho do barco Varsity – ele decidiu fazer uma reunião com os membros da equipe para discutir o desempenho e tentar encontrar neles mesmo uma resposta. Nas vésperas do inicio do campeonato, nos últimos treinos, mais uma vez a equipe Versity perde, causando total desconforto para todos da equipe e o treinador procura no semblante de cada um dos membros a resposta, encontrando apenas espíritos derrotados e olhares vazios. Na ultima reunião com a equipe perdedora, o Treinador P percebe a total apatia entre os atletas, nesta ocasião dá-se início a exposição de argumentos lógicos em relação a avaliação objetiva e critérios de seleção. O treinador avocou a solução da situação aos próprios remadores e solicitou que se manifestassem até saírem da reunião com o levantamento da problemática e as possíveis soluções. O que ouviu como resultado deste encontro foi a reclamação de todos, “que não aguentavam aquela situação e esperavam o fim da temporada”. Foi perguntado pela última vez aos atletas como seria solucionado, e ninguém mencionou uma palavra. O rumo da reunião surpreendeu ao treinador e rendeu muitos questionamentos em sua cabeça, este terminou a reunião e todos se dispersaram em silêncio e enfurecidos.
Conclusivamente, o autor deste artigo mostra que o treinador não dar a devida importância aos quesitos trabalho em equipe e liderança, mas o foco é, preponderantemente, as habilidades física dos atletas, e deixa de lado os recursos psicológicos como variáveis críticas do sucesso. Portanto a liderança efetiva deixou a desejar tanto por parte do Treinador P como dos remadores, assim como, o lado humano dos competidores foram ignoradas.

REFERÊNCIA:
SNOOK, Scott; POLZER, Jefrey T, A Guarnição de Remo do Exército, Harvard  Business School, Rev: 30 de Março de 2004.
UNIVERSIDADE ESTÁCIO DE SÁ
MBA EM CONSULTORIA EMPRESARIAL
Disciplina Gestão de Pessoas e Competências
Fichamento de Estudo de Caso
Autor: Cícero Duarte Amaral

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