CASO DE SUCESSO DA NETFLIX


NETFLIX
                                              Fichamento de Estudo de Caso

           O CEO da Netflix, Reed Hastings, reuniu-se com sua equipe sênior de gestão, uma vez que se preparava para entrar no mercado de filmes online. O negócio principal da Netflix em 2007 era a locação online de DVDs e a base de clientes estava preste a sofrer um impacto da iminente modalidade de entretenimento a ser lançada, o denominado vídeo on-demand  (VOD). A diretoria da empresa acreditava na continuidade da sua liderança no mercado home vídeo. Para melhor entender recorreremos a história desde sua fundação. Hastings CEO e fundador imaginou um serviço diferenciado para o público desta modalidade de entretenimento, para isso fundou, em 1997, uma empresa de locação de filmes a partir do desenvolvimento de um site, no qual o cliente escolhia os títulos online e depois recebia o DVD em casa via correios. O resultado desta empresa anos depois, especificamente em 2006, apresentou os seguintes dados: milhares de clientes teriam acesso a mais de 70 mil títulos com mais de 55 milhões de DVDs, e contavam com 44 centros de distribuição nos EUA. Neste passo, em 2006 a empresa atingiu uma receita de quase um bilhão de dólares, com um fluxo de caixa de 65 milhões de dólares. Desse modo, vejamos quais as estratégias mais significativas e determinantes para o sucesso ao longo dos anos. Na época em que foi fundada  a Netflix, quase todo o mercado de home vídeo era formado por locadoras de pequeno porte. Os filmes no formato VHS eram alugados por um período de dois dias a uma semana e pagavam de 3 a 4 dólares. A Blockbuster liderava o mercado, e acreditava que a locação de filmes era uma decisão impulsiva, crença que  alicerçava seu sucesso. A estratégia daquela para crescer consistia na abertura de novos pontos de atendimento. Em 2006 contava com 5.194 pontos, destes 4255 eram próprios e o restante  franquias. Um ponto crítico nesta forma de negócio eram os custos com a estrutura do espaço físico e a folha de pagamento. Também, procuravam  manter filmes recém lançados, pois a demanda destes era grande, no entanto sua a aquisição custava mais caro que filmes de produção independente.  A Blockbuster não se interessava por estes, haja vista a irregularidade na demanda. O sucesso financeiro da Blackbuster dependia da maximização dos dias de locação de cada filme. Quando caia a demanda dos filmes lançados estes eram vendidos com descontos pelas lojas e assim retornava parte do investimento inicial na aquisição. O cliente ao atrasar a devolução pagava multa, a qual gerava uma boa fonte de receita, chegando a representar, em 2004, 10% da receita total, em dólares implicava uma cifra de 600 milhões. Em contrapartida este fato tornou-se crítico, pois atraso na devolução deixaria o estoque sem o título que estava sendo procurado por outro cliente, e este se frustrava por não ter sua necessidade atendida. No tocante a rentabilidade, a Blockbuster, em 2002, época da abertura do capital,  estava  no quinto ano consecutivo com bons resultados. A marca era reconhecida 100% entre o público. Em contrapartida, a Netflix apostou seu foco no mercado das novas tecnologias - os usuários de DVD. A estratégia inicial foi desenvolver programas com fabricantes e vendedores de aparelho de DVD. Perceberam, neste mercado, que não havia muita concorrência e as lojas não apresentava uma variedade satisfatória aos clientes. A Netflix utilizou-se das características mais usadas pelos varejistas da internet na época: valor, conveniência e seleção. Todavia, surgem neste momento dois percalços: 1-  A insatisfação geral dos clientes com os preços da Netflix; 2- O alto custo para formar uma biblioteca de DVDs para suprir a crescente demanda. Os preços da Netflix eram iguais aos das locadoras tradicionais e ainda havia a demora de entrega causando frustração ao cliente. Assim, para compensar a desvantagem de atraso, a Netflix,  ofertou seus serviços na forma de assinatura com pagamento mensal. O primeiro modelo de contrato de assinatura permitia ao cliente manter quatro filmes em sua posse e receber quatro novos filmes a cada mês. O passo seguinte foi o direito de locação ilimitada para os assinantes, criando uma proposta de valor atraente. Desta forma, a empresa atraiu um novo grupo de fãs, as pessoas que alugavam filmes diariamente. Com essa medida surge um novo problema, os filmes mais novos eram os mais procurados e para manter um estoque, que  tinha alto custo, era necessário alto investimento. Como solução foi necessário incentivar os clientes a alugarem títulos mais antigos ou que já existiam no catálogo da oferta. Para estimular os assinantes, a empresa se valeu do seu motor de busca do site, este indicava uma biblioteca de títulos para os clientes a partir do seu próprio histórico de navegação,  e os funcionários da Netflix, semanalmente, colocavam em destaques filmes na página inicial. Com o tempo o sistema foi aperfeiçoado e ofertava títulos individualizados para cada cliente, incluía a sinopse, uma descrição, o porquê da recomendação do filme e uma coletânea de opiniões de outros assinantes. O site bloqueava os títulos que não estavam em estoque, evitando a frustração do cliente. O sistema de recomendações da Netflix contrapõe a lógica  das demais locadoras:  enquanto 70% das locações constituía-se de filmes novos,  para a Netflix representava apenas 30%. Apesar de todas essas medidas, era necessário alto investimento para construir uma satisfatória  biblioteca de filmes. Para tanto, Ted Sarandos, diretor de conteúdo, vindo da Video City juntou-se a Netflix conseguindo formar parcerias com quase todos os grandes estúdios. A forma de remuneração dos estúdios passou a ser proveniente da quantidade de locação por títulos. A criação de um estoque nacional de filmes foi uma alternativa, pois permitia satisfazer as exigências do expectador e com menos cópias do que uma locadora tradicional. Com o tempo foi imprescindível criar mais centros de distribuições em todo o país, assim os clientes podiam receber seus filmes em qualquer região em vinte quatro horas, esse tornou-se o principal diferencial à satisfação do cliente. Todas essas mudanças permitiram a empresa conseguir alcançar rentabilidade pela primeira vez em junho de 2002. A promessa era entregar 500 mil assinantes, no entanto chegou a 700 mil em maio 2002. Na medida que construía a biblioteca de filmes, a Netflix, tornou-se o principal canal de distribuição de filmes pequenos e independentes. Em 2006 começou adquirir direitos autorais para determinados filmes, o objetivo era criar a reputação como uma fonte de mais alta qualidade de filmes independentes, que certamente contribuiu  para a sua popularidade. Outro problema enfrentado foi o cancelamento de assinaturas, em contrapartida a solução, de  Hastings  foi deixar o cliente a vontade para cancelar a assinatura e caso o cliente voltasse o perfil por ele construído estava intacto. Impende destacar, que o mercado de vídeo online sempre foi acompanhado pela Netflix desde sua fundação, sendo que investiu 10 milhões de dólares em 2006, e 40 milhões de dólares adicionais em 2007, ao mesmo tempo em que desenvolvia o seu negocio principal de locação online. Hasting identificou que a solução dos dois grandes problemas apresentados na época para a adoção generalizada de VOD, os quais são : 1 - A conectividade entre o computador e a televisão de um usuário; 2-As limitações existentes nos conteúdos disponíveis. No processo de desenvolvimento e investimento na tecnologia de vídeos online, Hastings analisou  as seguinte alternativas: 1- Fechar uma acordo de licenciamento através do qual a empresa oferecia seu sistema de recomendação própria a provedores de TV a cabo; 2 - Oferecer streaming de vídeo online em sua oferta principal do site da Netflix; 3- A construção de um negócio independente de vídeo online. A primeira opção, Hastings, não sentia confortável em associar-se a um concorrente. Na segunda, Hasting,  preocupava-se em oferecer esse novo recurso sem uma receita adicional, pois parte do sucesso da Netflix consistia em manter fluxo de caixa positivos antes de crescer exageradamente. A terceira opção, para Hastings, foi a mais adequada. Conclusivamente, Hastings achou necessário criar um centro de lucro separado e um serviço totalmente diferente por meio do qual os clientes pagariam exclusivamente pelo acesso a vídeos online. Ele acreditava que existiria no futuro breve uma solução para a questão de conteúdo e conectividade que permitisse o mercado crescer rapidamente. Quando isso acontecesse, sua vantagem em relação a concorrência dar-se-ia pela enorme base de clientes conquistada ao longo dos anos. É importante salientar as decisões estratégicas tomadas pela Netflix, que  nos ensinam sobre como ser diferentes mesmo ofertando produtos iguais aos dos concorrentes, oferecendo serviços diferenciados com evidente valor agregado, sem deixar de acompanhar as mudanças de mercado, a tecnologia  e a concorrência. Tornando-se única, dada sua forma singular de prestar serviços e potencializar produtos, a Netflix mantém os valores e o foco no negócio principal enquanto percorre sua rota de sucesso.

UNIVERSIDADE ESTÁCIO DE SÁ
MBA EM CONSULTORIA EMPRESARIAL
REFERÊNCIA:
SHIH, Willy ; KAUFMAN,  Stephen; SPINOLA, David,  Netflix, Harvard  Business School, Rev: 27 de abril  de 2009.
Local : Espaço virtual da Pós-Graduação da Universidade Estácio de Sá.


Autor: Cícero Duarte Amaral
Bacharel em Ciências Econômicas -URCA
Pós Graduado :Competências Gerenciais - Faculdade UNILEÃO
Pós Graduando : Consultoria Empresarial - Faculdade Estácio de Sá




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