CIRQUE DU SOLEIL
CIRQUE DU
SOLEIL
Fichamento de Estudo de Caso Harvard
Os autores do artigo relatam a história de sucesso do Cirque du
Soleil, estes destacam as estratégias adotadas pela corporação das quais a
inovação tornou-se uma constante. Mas problemas como o desafio
de manter os artistas e funcionários motivados após desgastantes turnês longe
de casa e da família era a indagação da diretora de elenco, Murielle Cantin, esta
também sentia-se exausta após semanas ou meses na estrada a procura de grandes
talentos para suprir as necessidades de crescimento do Cirque. Outro desafio
era ao mesmo tempo continuar crescendo e manter a magia do espetáculo. Para
melhor compreensão remete-se a historia do Cirque desde
sua fundação no ano 1984, numa pequena cidade próximo de Quebec City Canada,
iniciada por uma trupe de artistas de rua chamada de O Clube dos Saltos Altos.
Apenas 73 pessoas trabalhavam para o Cirque du Soleil, alguns anos depois em
2001 o total de funcionários chegaram a 2100, destes 500 eram artistas. Nos
anos inicias apresentava um espetáculo
por vez, mas o crescimento fez o Cirque chegar apresentar oito produções simultâneas e
conquistar 6 milhões de espectadores por ano nos quatro continentes. Um dos
fundadores permanecia ainda na companhia, e tornou-se CEO, o Guy Laliberté juntamente
com seu sócio também fundador Daniel Gautier. Laliberté era responsável pela
produção criativa e Daniel pela administração, parcerias externas e
financiamentos. As apresentações dos espetáculos do Cirque
du Soleil eram formadas basicamente por artistas de rua, palhaços, acrobatas e
ginastas e estes criavam e apresentavam espetáculos teatrais e de dança. Sua
primeira apresentação fora do Canadá foi num festival em Los Angeles, em 1987,
e para galgar esse degrau foi necessário pegar um empréstimo de US$ 1,5 milhão
com o governo federal do Canada para comprar os equipamentos necessários à
turnê nos Estados Unidos. O passo seguinte à sua expansão foi explorar o continente europeu em 1990,
primeira produção autofinanciada, adendo sua independência financeira. No ano
de 1992 foi a vez de lançar sua produção no continente asiático. Nas estratégias
a diversificação de atividades comerciais evidenciava-se conforme citado a
seguir : Em 1999 o Cirque lança
o seu primeiro filme “Alegria” baseado no espetáculo homônimo e também lança seu especial de TV “Cirque
du Soleil Presens Quidam. No ano 2000 o Cirque cria
uma produção cinematografia “A Jornada do Homem” distribuído pela Sony Pictures
Classics. Em 1998, na propriedade da Walt Disney World Resort, o Cirque abre
sua primeira loja no seu novo cinema permanente. E por último a companhia desenvolveu
o conceito de complexos de entretenimento “combinação única da dramaturgia , da
arquitetura e da arte em geral”. Em relação aos recursos humanos, os artistas
são tratados de forma que sintam-se bem e felizes. Um dos desafios do Cirque,
conforme Cantim, é encontrar os artistas certos. A forma inovadora de criar os
espetáculos dá-se da seguinte forma, segundo o treinador ginasta Bernard Petiot
“os diretores dizem como querem o
espetáculo e nós tentamos criar um plano para as acrobacias, tentamos varias
coisas diferentes, sabendo que aquela resposta pode não ser aceita e então
tentaremos mais uma vez. Pensei que conhecia o significado de brainstorming
antes de vir para cá, mas não tinha a mínima idéia”. Outro grande desafio
nas turnês era as contusões que sofriam os atletas e o organizador do
espetáculo tinha que readaptar trechos, aumentando ou excluindo para compensar
as faltas dos artistas. Para não desmotivar o artista machucado, o diretor
tentava mantê-los envolvidos no processo. Alison Crawford, diretora de arte,
disse que era preciso ter uma mente aberta, ter paciência, lidar bem com a
tensão e amar as pessoas nesta relação com os artistas do elenco. Marc Gagnon,
vice presidente Operacional, tentou criar o código de comportamento, solicitou
criticas a si próprio, à diretoria e para tal criou o boletim dos funcionários.
Gagnon valoriza a comunicação interna e
por isso investia muito dinheiro, queria criar o senso de comunidade e família
na companhia. Dar muitas festas para Gagnon era uma forma de controlar a tensão,
este estava buscando sempre o equilíbrio entre os papéis de pai benevolente e
empregador oficial. Concernente aos clientes do Cirque, o objetivo para com eles era proporcionar uma “experiência inesquecível”, e que esse assistisse
o espetáculo e voltasse a próxima vez com mais três ou quatro amigos. Alguns dos clientes tornaram-se fãs
cativos, e para maior promoção e incentivo a comunicação externa criaram sites
e fã clubes. Os sites gratuitos da internet com informações aos assinantes
foram utilizados como uma base de marketing pré-vendas para futuras
apresentações. Outra estratégia do Cirque foi encurtar seu tempo de permanência
durante as turnês e dessa forma esperava gerar uma demanda futura no mercado
não atendido, e assim, encurtar os intervalos entre turnês que era de três anos.
O diretor de Marketing Mario D’Amico, afirmou que “no Cirque a criatividade é o centro, e não os clientes. O negocio do Cirque é deixar que artistas
puros trabalhem como quiserem, eles tem algo a dizer, eles se expressam”. Considerado
um “bem de luxo” os espetáculos eram voltados para um publico específico, de
renda média apropriada. Uma de suas preocupações foi a nova estratégia de
apresentar três ou quatro turnês nos EUA por ano, o publico poderia ficar
cansados. Por isso era questionável a entrada em outros mercados de massa com
um produto mais acessível, no entanto os artistas deveriam abrir mão de suas
ambições e criatividade. A preocupação pela qualidade era de todos os
envolvidos. Para o CEO Laliberté, o mais importante era manter a alma, a magia
da companhia, por isso não tinha a intenção de incorporar acionistas ao Cirque,
pois estes não deixariam realizar ações que ao ponto de vista empresarial não faria
sentido, mas para o Cirque constitui-se a
sua essência. Apesar das pessoas não gostarem de ser dirigidas ou monitoradas,
sempre se perguntavam em qual direção estavam indo, e a resposta estava nas ferramentas utilizadas pelas corporações empresarias,
como estratégia, missão, plano e
processos. O planejamento corporativo deveria considerar algumas questões a
seguir: 1-Diversificação com inclusão de outros tipos de produto como o complexo
de entretenimento, Laliberté estava investindo tempo, dinheiro e recursos da
organização. Conforme Pouliot poderia ser algo muito diferente, mas questionava
a viabilidade de vultoso investimento; 2-Cada vez mais executivos assumiam o
alto escalão da companhia e estes agregavam características empresariais ao Cirque,
pois tais características ameaçavam a alma genuína do Cirque; 3-Entrada de concorrente como o Cirque Oz, que
tenteou impedir o Cirque de Soleil obter autorização para se apresentar na
Austrália; 4-Os altos preços dos
ingressos levavam a alguns funcionários a crer que o Cirque era
apenas para pessoas ricas, para isso alguns artistas gostariam de criar um Cirque acessível a famílias de baixa renda; 5-O Cirque era
necessário ser reinventado de tempo em tempo, podia perder a graça não apenas
para os clientes, mas principalmente para os artistas, a motivação e empolgação
eram necessárias para que a magia acontecesse. Conclusivamente, para Cantin, o Cirque estava
crescendo numa velocidade perigosa, isto era seu temor, pois havia a
possibilidade do Cirque desgastar sua imagem na América do Norte,
perder seus talentos originais e decair seu padrão de qualidade. Cantim questionava-se a respeito da existência
de estratégia no Cirque, caso exista era realmente necessária ? Ou seria melhor fazer o que
sempre fizeram ? Manter o foco nos
artistas ?
MBA EM CONSULTORIA EMPRESARIAL
REFERÊNCIA:
DELONG, Thomas J.; VIJAYARAGHAVAN, Vineeta, Cirque du Soleill, Harvard Business School, Rev: 06 de abril de 2006.
Local : Espaço virtual da
Pós-Graduação da Universidade Estácio de Sá.
Cícero Duarte Amaral
Bacharel em Ciências Econômicas -URCA
Pós Graduado :Competências Gerenciais - Faculdade Leão Sampaio
Pós Graduado : Consultoria Empresarial - Faculdade Estácio de Sá
