terça-feira, 11 de abril de 2017

NATURA BELEZA GLOBAL MADE IN BRAZIL



NATURA: BELEZA GLOBAL MADE IN BRAZIL
Fichamento de Estudo de Caso

        O trabalho dos autores encontra-se centrado na exploração dos mercados internacionais pela Natura Cosmético (empresa brasileira de cosméticos) e a impressionante história de sucesso ao longo de sua trajetória. Para tanto, relata a viagem dos seus três fundadores a Moscou para decidirem se a Natura investiria ou não, no mercado russo. Enquanto para alguns analistas do setor e bancos de investimentos seria uma ambição míope de seus fundadores, para outros seria uma “estratégia cuidadosamente traçada”. Os autores relatam fatos relevantes nesta análise, assim como: o mercado de beleza, extensão, a  formação populacional e multirracial do povo e a biodiversidade  brasileira. Nesta toada consideram os problemas sociais deste país atribuídos ao elevado nível de desigualdade de renda. Dentre pontos positivos e negativos do mercado de beleza, encontram-se as fortes tendências e crescimento acelerado entre 1999 a 2004. Tal avanço do mercado atribuiu a fatores como a entrada de mulheres no mercado de trabalho; crescimento médio do salário feminino; taxa de divórcio que chegou a 300% entre 1984 a 2002; a importância dada a cultura da autoimagem, esta associada a sensualidade generalizada.  Neste compasso, os autores relatam a trajetória da Natura desde suas primeiras atividades com uma pequena loja de cosméticos iniciada por uma família humilde em 1969 na cidade de São Paulo, pelo primeiro fundador Luis Seabra. A etapa seguinte foi agregar mais dois sócios com talentos diferentes e que juntos se complementavam. Aderiram ao modelo de vendas diretas e distribuição da empresa multinacional de cosméticos  Avon. Na década de 1980 com  inflação galopante na economia brasileira,  as fortes empresas internacionais de cosméticos deixaram o país gerando dessa forma mais oportunidade para a Natura, pois o mercado ficou mais amplo, em especial mais mulheres ansiando por trabalho e aumento de renda. Em 1989, a empresa se consolida como a Natura Cosméticos, advinda da compra de participação acionária de alguns sócios pelo então Guilherme Leal e Pedro Passos. Como destaque do sucesso dos produtos da Natura, pode-se citar  a criação de um portfolio que tinha como foco a inovação e a satisfação de necessidades do seus clientes,  estratégia de marketing da empresa que permanece até os dias de hoje, sendo sempre lembrado,  na criação de novos produtos e projetos, a constante fidelidade aos seus valores. Acredita-se que a abordagem adotada pela Natura serviu para reforçar os relacionamentos ao longo da cadeia de valores e foi um fator-chave como diferencial de seus produtos. A marca, em 2003 consolidou-se como líder no mercado de cosméticos brasileiro através de um estudo realizado sobre a sua imagem. As operações da empresa caracteriza-se por uma ampla  estrutura futurista  a qual apresenta alta capacidade produtiva e proporciona uma logística eficiente e eficaz.. O modelo de vendas direta dá-se através de um exército de consultoras chegando a quase meio milhão, formada predominantemente por donas de casa de classe média, sem vínculo empregatício. Através das consultoras, a empresa  conseguiu uma rápida expansão sem necessidade de endividamento e sem redução da margem de lucro. Utilizava-se como ferramentas de vendas o catálogo, até então inexistente no Brasil. Outro diferencial em sua distribuição foi a forma das consultoras realizarem pedidos a empresa, enquanto a concorrente Avon permitia a consultora colocar apenas um pedido por ciclo de vendas, a Natura permitia a consultora fazer pedido a qualquer hora, tornando-se mais atrativo e lucrativo.  Impende destacar que o modelo de liderança era formado pelos três sócios já mencionados e foram comparados como partes de um ser vivo com alma, cabeça e corpo. Seabra representa a alma da empresa, pois era influenciado pela filosofia grega, correlacionando a beleza do corpo fortalecida pelo uso de cosméticos dada uma melhor perspectiva de nós mesmo, da comunidade e da natureza como um todo. Leal representava a cabeça, na Natura, visionário que desafiava e fazia o progresso da empresa, estrategista e líder no processo de internacionalização da marca. Passos era visto como o corpo da empresa, pé no chão, tornou-se do conselho administrativo e atuava como mediador entre os três fundadores, em suas decisões e seus impactos sobre a organização. A tomada de decisões era baseada em reuniões e comités formadas por executivos. Considerando sempre seus pontos fortes e fracos com muita transparência até que muitas vezes conduzidos naturalmente a divergências de opiniões, logo solucionado através de várias reuniões. O lançamento de novos produtos era acompanhado de perto pelos fundadores como garantia de que os valores, a missão e visão da empresa fossem considerados.  Nesta guisa, a cultura empresarial da Natura baseia-se na transparência e respeito pelas partes interessadas. Como a administração era responsável por novos projetos e metas altas  foi necessário a formação ou aquisição de novos talentos, criando assim um grupo diversificado de administradores. Em sua cultura empresarial era adotado o seguinte princípio para o marketing empresarial: cada produto deveria capturar as emoções e sentimentos e aspirações dos clientes, por isso, captar valores universais e ligar as características percebidas no Brasil é uma importante ação da empresa. Até início da década de 1990 a  instabilidade politica e a hiperinflação brasileira não atraia muito as empresas internacionais, o que facilitou o crescimento da Natura. Após esse período quando houve a estabilidade da inflação e queda para menos de 10% ao ano nasceu novos mercados e rápida transformação no consumo. Os maiores concorrentes da natura foram a Avon, em vendas diretas, seguidas da Unilever, Johnson & Johnson e a Procter & Gamble. Com a transformação e desenvolvimento de mercados, surgiu a segmentação mercadológica e cada  empresa se identificou com seu mercado alvo baseadas em variáveis como  grupo étnico, faixa etária e sexo . As tendências como a linha de verão e categorias de beleza como coloração, fragrância e cuidados da pele  permitiram o desenvolvimento de produtos e campanhas de marketing aos fabricantes. O canal dominante de vendas eram os supermercados e hipermercados representando 40 % do total de vendas no mercado brasileiro de cosméticos, sendo que a venda direta representava  36 % do mercado de cosméticos nacional, começando a sinalizar exaustão. Após um longo período de duas décadas de existência da Natura ressurge a necessidade de inserção em mercados estrangeiros, Seabra e Leal decidiram explorar seu conhecimento em lugares mais distantes como França, Grécia e Itália, sendo portanto seu primeiro mercado o  pais vizinho, o Chile. As tentativas impulsivas de entrada em mercados como o da Flórida e Portugal foram frustradas, pois não houve planejamento adequado. Com relativo sucesso foi implantado novas bases, sucessivamente, no ano de 1988, em parceria com distribuidor local na Bolívia; em Peru  (ano de 1992) e Argentina ( 1994), assim foram necessária a implantação de mudanças para adaptar a  marca nestes novos mercados:  como a adaptação do modelo de negócio; maior compreensão do processo que envolvia a projeção da marca;  rápido desenvolvimento de rede de consultoras e indispensável domínio da logística e da distribuição. Para adentrar em novos mercados, a Natura, compreendeu nestas experiências de projeção internacional  que era indispensável a analise de muitos fatores, e que não podiam desconsiderar os componentes financeiros, filosóficos e emocionais, ainda,  sem deixar de lado seus valores em acordo com os acionistas, a sociedade e o meio ambiente. A experiência na Argentina inicialmente foi insatisfatória, por isso foi enviado um executivo da alta administração para fortalecer a marca, consequentemente a logística, o giro de pessoas e as receitas melhoraram significativamente. Em seguida a Argentina passa por uma forte crise econômica e repercute no mercado da Natura, e como estratégia, foi mantido os preços enquanto os concorrentes reajustavam suas tabelas de preços. O resultado  foi a elevação da  receita e do número de consultoras em até seis vezes mais. Esta experiência foi passada para outros  países.  Verificando o mercado mexicano, os executivos, notaram muitas semelhanças com o Brasil, a economia, a demografia e perfil social e o gosto por cosméticos. Exigia-se portanto uma melhor estratégia para gerir a marca. Sendo mencionado pelo diretor Carlucci que o desafio maior era levar o “modelo brasileiro”  desenvolvido pela Natura, para outros países, sem desconsiderar a origem brasileira e  sua cultura. Então com o desenvolvimento do modelo híbrido foi possível misturar diferentes componentes e levar a experiência obtida em Paris. Outro problema encontrado foi a escassez de pessoas talentosas para administrar a empresa nesses países. Para Leal, não adianta querer soluções fáceis, mas era preciso percorrer o caminho longo da conquista de novos mercados. Apesar de surgirem ofertas da compra de empresas com marcas consolidadas e redes de distribuição estabelecidas, o conselho administrativo decidiu não comprar, pois corriam o risco de destruir o valor da marca Natura. A administração não consegue identificar uma certeza no tocante a  conquista global  pela marca, se é, realmente,  necessário uma parceria internacional para avançar fortemente. Sabe-se que preservar os valores e crenças é fundamental e nem sempre é condizente com uma nova e possível parceria. Perceberam no mercado russo: obstáculos burocráticos, má regulamentação de qualidade de produto, falsificação e competição acirrada. O fundador Seabra se assustou com o aparente materialismo do povo além de percebeu que não havia preocupação com a sustentabilidade ambiental, os russos não sabiam muito sobre nosso país e sobre a Natura. Mesmo diante de muitas informações os sócios necessitavam do toque emocional para tomar sérias decisões. Para os fundadores da Natura em sua viagem internacional ao país russo, tinham mais duvidas do que certezas. Poderia ser cedo para explorar esse mercado? A empresa poderia investir em outro lugar? Para tornar a marca globalizada seria realmente necessário comprar grandes corporações concorrentes? ou ainda, poderia crescer com a parceria de empreendedores independentes que compartilhassem seus valores ?
Desta forma, o artigo em sua conclusão expõe que o mercado sempre oferece espaço para indagações, e por mais que a experiência e sucesso passados sejam valores significativos à empresa, esta sempre estará sujeita a desafios e mutações dos mercados.


UNIVERSIDADE ESTÁCIO DE SÁ

MBA EM CONSULTORIA EMPRESARIAL

REFERÊNCIA:
JONES, Geoffrey; PINHO, Ricardo Reisen, Natura: Beleza Global Made in Brazil, Harvard  Business School, Rev: 29 de agosto de 2007.

Local : Espaço virtual da Pós-Graduação da Universidade Estácio de Sá.

Cícero Duarte Amaral

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